Dia da Igreja Perseguida!

domingo, 15 de setembro de 2013

As raízes do Diaconato

Em Lucas 17:1-10 temos um texto bem próximo da função de diácono, mas que jamais é lembrado, para fundamentar o serviço a ser prestado pelo diácono.

A palavra diácono tem suas origens na estrutura social dos dias apostólicos. As duas palavras usadas para servo, tinham duas conotações. A primeira e mais comum, é usada para o servo que ficava incumbido das funções mais rudimentares. Limpeza, campo, cozinhar, transporte, cuidar de animais. A segunda era para o escravo preparado para servir particularmente ao seu senhor. Esse escravo era uma espécie de escravo qualificado. 

Era tão treinado, que seria vergonhoso para seu senhor, dar-lhe ordens verbais, na presença de convidados. Um olhar, um gesto, um sinal, e, pronto. A tarefa era realizada, e o escravo fazia um leve sinal que a ordem fora obedecida. Seu senhor respondia com um discreto sorriso. O diácono era aquele servo, cujo premio, era colher no rosto do seu senhor a alegria de ter sido servido.

Outro servo que era visto como um diácono, era o pedagogo. O menino, após ser desmamado, era entregue aos cuidados de um servo encarregado de educá-lo. O menino seria preparado para substituir o pai em suas funções na direção das propriedades. Daí vem a palavra pedagogo. Um guia de crianças. Ao completar o estágio, por volta dos 13 anos, uma cerimônia cheia de pompa, era celebrada. É uma bela figura da vida cristã. Cristo nos liberta da escravidão do pecado, na qual nascemos, para sermos preparados, e sermos introduzidos na casa do Pai, para os serviços mais elevados possíveis.

O texto que nos baseamos, fala de escândalos. Escândalo é quando alguém comete um ato totalmente contrário àquilo que dele se espera. Diácono é aquele que está preparado para perdoar infinitas vezes. Está preparado para mergulhar com risco da própria vida, para desatar a pedra no pescoço do provedor do escândalo. Uma tarefa como essa exige fé capaz de remover uma árvore, apenas com uma ordem verbal, do solo para o meio do mar.

A ilustração é completada com um fato comum na estrutura social daquele tempo. A ilustração mostra a dimensão do dever do escravo. No verso 7 é o escravo serviçal, o servir o jantar é usado o verbo do servir qualificado. Dentro de casa, não no campo. No verso 9, o escravo volta a condição de serviçal . Isso significa que o diácono é um servo que, mesmo preparadíssimo, submete-se a serviços reconhecidos como banais. Mas, por que o escravo faz isso, sem reclamar? É que ele está em busca do sorriso no rosto do seu senhor. E ele sempre é premiado, pois todos gostam de ser servidos.

A estrutura social dos nossos tempos não acompanha a estrutura daqueles dias, e essa é a razão de termos tantos problemas em nossas igrejas, uma dificuldade imensa de execução de tarefas que não traga visibilidade, ou problemas produzidos pela cobrança de reconhecimento, por parte de prestadores de serviços, na casa do Pai.

Concluindo, diremos que o diácono é o portador de todas as bem-aventuranças. De mãos vazias diante de Deus, mas milionário no Reino dos Céus. Chora a perda de irmãos, e é consolado por Deus. Manso por abrir mão de todos os seus direitos. Faz como os missionários mortos na Colômbia em 1950, que diziam: “Abrimos mão daquilo que jamais será nosso, para preservarmos aquilo que jamais poderão tirar”. Sabendo do poder do inimigo, tem fome e sede de santidade, para que jamais sua espiritualidade pereça. Sabem que sua misericórdia para com os outros, lhes retornará quando dela precisarem. 

Buscam o maior de todos os prêmios, o sorriso no rosto de Deus. Sabem que não precisam divulgar que são filhos de Deus. São os outros que reconhecerão a filiação com o Pai. Em todas as circunstâncias são alegres por buscarem o elevado patamar dos profetas, e terem um galardão celestial. Esse desafio não é só dos diáconos cada cristão é um servo e também diácono. A vivência desses preceitos tornará o ambiente de nossas igrejas altamente atrativo, pois o que mais falta neste mundo é o fluir do amor, e da Igreja Deus espera um ambiente diferente abundante de amor.

Pr. Manoel de Jesus Thé
Pastor Auxiliar da Igreja Batista Nações Unidas
Colunista deste Portal
manoeldejesus.the@gmail.com

Fonte: ADIBERJ


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